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:: Sexta-feira, Agosto 13, 2004 ::
"O fator mais importante e decisivo na vida não é o que nos acontece, e sim a atitude que adotamos diante do ocorrido. A revelação mais certa do caráter da pessoa é a maneira como ela suporta o sofrimento. As mais variadas circunstâncias e situações podem colorir a vida, mas Deus nos concedeu a graça de poder escolhermos a cor ."
Charles Woodson
:: 3:07 PM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Terça-feira, Agosto 10, 2004 ::
"Tudo começa hoje. A alma interior é aquela que te dá, mesmo no meio da multidão, o poder de estar a quilômetros de distância, em espírito. Ela possui a mais nobre e a mais rara das independências. O amor exige uma resposta de todos os instantes. Reencontra a inocência do olhar, e a vontade de diamante do coração. Então o instante não passará mais. Guardar-te-á na sua luz. Se queres destruir o teu medo do tempo e da morte, visualiza a vida como um círculo sem começo nem fim. Considera o instante presente como um ponto que indica ao mesmo tempo o começo e o fim. A ponte é o instante, a partir do qual fazes a experiência do mundo. O instante não passa. Desloca-se. Pertence ao fluxo eterno. Aprende a viver o instante presente com o teu corpo e os teus desejos. O universo fica equilibrado quando as duas mãos se juntam. Se este mundo te aborrece, então muda de mundo. Mudar de mundo, é mudar de consciência."
Dugpa Rinpoche
:: 3:23 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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Pra quem acha que surfista é vagabundo, maconheiro e traficante. Pra quem acha que o esporte não leva a lugar algum. Pra quem vive reclamando da vida. Pra quem não dá valor aos pequenos detalhes. Pra ti que não tem mais vontade de lutar.
Nunca é tarde pra aprender a viver...
O cara é surfista e triatleta. Está no terceiro ano da faculdade de fisioterapia. Seis dias por semana, acorda, bate aquela larica matinal e encara 4 000 metros de natação. Depois, pedala mais 60 km e faz musculação. Quando as ondas começam a quebrar, abandona a rotina e cai na água para surfar. "Essa é a melhor parte da semana." O dia-a-dia do santista Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, 22 anos, não teria nada de diferente do cotidiano de um atleta de ponta não fosse um pequeno detalhe: ele é amputado das duas pernas.
No dia 8 de junho de 2000, Pauê foi atropelado por uma locomotiva e perdeu as duas pernas. "Foi logo ali em frente. Dá pra ver daqui da varanda", explica de sua casa em São Vicente, apontando o local do acidente com a maior naturalidade. "O lance do surf ajudou muito na minha reabilitação. Conhecer a essência do esporte, ter contato com a natureza, trabalhar o equilíbrio emocional, sentir o prazer que só o surf proporciona... Tudo isso contribuiu para que eu superasse o trauma."
De cara com a morte
Pauê sempre foi fissurado por esportes. Pegava onda todos os dias e nadava numa academia atrás de sua casa. Numa noite, esqueceu touca e óculos e resolveu voltar para buscar. Passava das 20h e estava escuro. No caminho entre sua casa e a academia, havia uma ferrovia desativada. Ao atravessar a linha de trem, Pauê não percebeu a proximidade da locomotiva e teve as pernas esmagadas. "A linha está desativada, mas de vez em quando passava algum trem. A locomotiva estava apagada e, assim que pisei na linha, aconteceu o acidente. Não vi, não ouvi, não senti nada."
Sem tempo para frear, o trem atingiu-o de frente. Pauê só sentiu o impacto. Foi arrastado por 50 metros até a locomotiva parar completamente. Saiu debaixo da máquina engatinhando, sem perceber que havia perdido as pernas. "Depois do choque, pensei: "Caralho, fui atropelado, mas estou vivo'. Não sentia dor nenhuma." Pauê só se deu conta de que havia perdido as pernas quando tentou ficar de pé. "Só percebi que não tinha mais as pernas quando caí para trás. Aí, entrei em pânico."
Pernas no lixão
A partir dessa hora, ele não consegue lembrar com nitidez o que aconteceu. Pauê foi socorrido imediatamente por amigos, vizinhos e parentes. Um primo encontrou as pernas, que foram colocadas no gelo e transportadas para o hospital. "Nunca cheguei a vê-las, mas me contaram que elas estavam dilaceradas. Não tinha jeito mesmo. Acho que foram enterradas ou jogadas no lixão."
Descartado um implante, a luta passou a ser pela sobrevivência. Após dez dias na UTI, foi transferido para um quarto comum. A infecção não dava trégua. "Os trilhos estavam sujos e enferrujados", explica. Preso na cama, tomava um coquetel de 20 antibióticos diferentes e começou a delirar. Passaram-se duas semanas e ele começava a dar sinais de que estava reagindo à infecção. Até que teve um choque anafilático causado pela reação a um dos antibióticos. Foi entubado e acabou na mesa de operações, onde sobreviveu a três paradas cardíacas. Passou mais 72 horas à beira da morte na UTI.
Começar do zero
Foram 58 dias até que a perna cicatrizasse e Pauê finalmente pudesse deixar o hospital. Era hora de tocar a vida e voltar para as ruas. "Ao contrário do que muita gente pensa, não fiquei com trauma de trens. No início, a parte mais difícil era sair na rua e ver que todo o mundo me olhava com cara de pena. Mas isso passou. Meus amigos me levavam pra tudo quanto é canto: praia, cinema, shopping, boates. Sempre na cadeira de rodas."
E foi em contato com o mundo que ele encontrou motivação interna e apoio externo para seguir em frente. Aos 18 anos, era hora de escolher uma carreira. Pauê pensou em estudar medicina para entender melhor seu processo de recuperação, mas não queria ficar sem tempo para surfar e se tratar e terminou optando por fisioterapia. Nem foi preciso pensar muito onde estudar. A Unimonte (Universidade Monte Serrat, em Santos) abriu as portas da instituição: bolsa de estudo e livre acesso ao centro de treinamento e recreação. Era tudo do que Pauê precisava.
Apoio profissional
No início, o objetivo esportivo era apenas voltar à ativa, surfar. "Eu quase não tinha musculatura. Tentava nadar, mas não saía do lugar. Tive de reaprender tudo." Nos treinos na piscina da universidade, Pauê convivia com alguns dos melhores triatletas em atividade no país: Oscar Galindez, Paulo Miachiro, Fernanda Garcia. "Tive um grande apoio dessa galera, rolou uma troca de energia e de experiência muito bacanas."
Treinar ao lado desses atletas apressou sua recuperação. Encorajado pelo amigo Mosquito, atual técnico, Pauê procurou ajuda para recomeçar nas ondas. "Tive aulas com o Pirata [surfista que não tem uma das pernas] e aprendi tudo de novo, da areia mesmo, como um iniciante sem prótese."
Surf e triatlo
Pauê é o único surfista amputado bilateral de quem se tem notícia no mundo. Também é o único triatleta com esse tipo de amputação a disputar provas para portadores de deficiência no Brasil. Em janeiro de 2001, seis meses após o acidente, fez a primeira travessia aquática, de 1 500 metros. A segunda foi um pouco mais longa: 8 km. Em 2002, participou da primeira prova de triatlo e nunca mais parou. "É muito difícil encontrar um atleta que tenha as duas pernas amputadas. Assim como é complicado formar uma categoria com portadores de outras deficiências raras. Então, os organizadores reuniram todos nessa categoria especial para dar motivação à prova. Fui o quinto a sair da água e terminei a prova entre os dez primeiros", conta.
Hoje, Pauê é atleta profissional e divide seu tempo entre treinos e faculdade. Participa de várias competições internacionais de sua categoria e ainda arranja tempo para dar palestras sobre superação de limites através do esporte, além de colaborar com as pesquisas para o aperfeiçoamento de próteses. De quebra, acabou de fechar uma parceria com o site Waves, onde vai ter espaço para falar de assuntos relacionados ao esporte adaptado. "Também tenho vontade de lançar um livro, quem sabe daqui a alguns anos", planeja o novo militante.
Matéria publicada na última Revista Trip.
:: 2:41 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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:: Segunda-feira, Agosto 09, 2004 ::
ele vê.... é como um espelho encantado... se o sorriso o invade... não será só uma imagem e um alma em alegria profunda que estará vendo... é a beleza e a dádiva dos sentimentos e significados que despertam...
vivendo momentos únicos que havia deixado de acreditar... buscando a cada instante o seu equilíbrio... presente nas ondas do mar... sendo único em pensamento, alegria, amizade e amor...
aproveitando cada segundo e mostrando que ainda é possível ser verdadeiro... indo atrás da sua fonte... fonte que esconde a vida... sabendo que ela é linda, como a mulher amada...
ele sonha com o futuro... mas vive o presente...
:: 2:54 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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separar o joio do trigo... como separar o bem do mal... o bom do ruim... o amor do ódio... a água da areia... um corpo de outro... um olhar de outro... um toque de outro... um riso de outro... um choro de outro... um aceno de outro... uma alma de outra...
e nisso tudo o sentimento...
bom seria viver sem ele...
é possível?!?.........................
:: 2:30 AM ::
escreve algumas linhas aê:
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